O Conhecimento como Justificação Teórica

Ao falar do conhecimento usamos bastante o termo “problema”. Essa
expressão vem do grego e significa literalmente “obstáculo”, “aquilo
que está lançado”, o que é “saliente”. Para que o estudo de qualquer
tema seja profundo, é sempre útil saber de antemão a problemática
que se quer investigar. Isso também vale para a teoria do conhecimento. 
De acordo com Franklin Leopoldo e Silva (1985), os principais problemas
que a teoria do conhecimento deve investigar são:
1) as fontes primeiras de todo conhecimento;
2) os processos que fazem com que os dados se transformem em juízos
ou afirmações acerca de algo;
3) a forma adequada de descrever a atividade pensante do sujeito
frente ao objeto do conhecimento;
4) O âmbito do que pode ser conhecido segundo as regras de verdade.

As Fontes do Conhecimento

Um dos temas tratados na teoria do conhecimento – e que se enquadra
no problema das fontes do conhecimento – é a relação entre
sensação, crença e conhecimento. O professor Newton Carneiro da
Costa, especialista em lógica e teoria do conhecimento científico, defende,
por exemplo, que todo conhecimento é crença, mas nem toda
crença é conhecimento. Explica Da Costa:

O Sr. X pode acreditar (crer) que há vida em Netuno e ser um fato que
em tal planeta aja vida, inclusive análoga a da Terra. Todavia, ainda não se
tem conhecimento em acepção estrita, a menos que X possua justificação
para sua crença.” (DA COSTA, 1997, p. 22)

O que se passa neste caso é que pode haver uma coincidência entre
a crença do Sr. X e a realidade da existência objetiva de vida em Netuno.
Mas o Sr. X não sabe em que condições há vida lá, que procedimentos
foram usados para se constatar isso, etc. Da Costa afirma que,
pelo menos em ciência – mas, defendemos nós, igualmente em teoria
do conhecimento – para se ter conhecimento é preciso ter uma crença
justificada. Isso quer dizer que, se o tópico é da área de matemática
pura, você precisará demonstrar aquele ponto que diz conhecer, se for
um caso de física ou economia, terá que mostrar conhecimento das leis
que governam tais áreas, ter acesso aos testes críticos, etc.
O que foi dito acima nos leva a constatar que uma pessoa tem basicamente
três níveis de consciência, cada qual correspondendo a uma
perspectiva que dá corpo a sua visão do mundo. Esses três níveis são:
sensação, crença e conhecimento. A sensação é o nível em que nosso
contato com o mundo é puramente físico ou emocional. A crença, por
seu lado, é um estado mental, uma representação de um determinado
estado de coisas. Segundo Moser (2004), a crença fornece ao indivíduo
uma espécie de esquema do mundo. Nesse sentido, ela mantém uma
conexão importante com o conhecimento, como veremos. Por fim, o
conhecimento propriamente dito é a capacidade de justificarmos e validarmos
nossas sentenças sobre as coisas.

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